13.10.06

O vôo transformador - Poesias transcedentais II


Por que tão distantes os caminhos, as noites e as estrelas?

As ilusões são ódios e a ganância é uma corrupção pura.
E eu, latino americano
de brasileiro esplendor
e árabe fragrância
fico aqui, sentado na soleira do tempo,
à espera que se abra um espaço, uma terra sem fronteiras,
só de homens e sem bandeiras.
Mas os caminhos são de pixe, de asfalto quente,
sem árvores, sem rios e sem gente,
cheio de homens que matam homens só por pensar diferente.
E eu sou um louco.
Um louco porque no meu caminho tem que ter flores, pedras, árvores, água, muita água, ar puro e um cheiro bom de mato.
No meu caminho tem que ter o silêncio das árvores, as palavras do vento e o cochicho dos pássaros.
Pena que tudo isso seja ridículo diante dos computadores, dos homens robôs, dos grandiosos empreendimentos e ...
... das ogivas nucleares.

E eu fico aqui, nessa rede branca embalando os meus pensamentos,
abraçando os meus filhos, pássaros da minha liberdade, do meu amor e da simplicidade.
São eles,
sorrisos quentes,
sem medo,
são mãos abertas,
carícias no cabelo,
cavalos correndo no campo,
são as águas do riacho,
são a horta e o pomar.
E o beijo na boca,
um gosto doce de amor.
Só isso.
Nada mais é necessário, tudo mais é supérfluo.
E tristeza, só tristeza.
Nada mais do que tristeza...

Retirado do CD Pássaro Violeta - Autor desconhecido