20.8.05

Uma Flor de Lótus

Seus olhos me alcançaram, e com o poder de mil sóis iluminou o céu e irradiou o espírito. E foi assim que fui levada até seu jardim.
Ele possuia o Sol sobre sua cabeça e a Lua na cor de sua pele. E todas as cores eram irradiadas por suas riquezas em pedrarias perfeitas.
Havia um leve e doce perfume naquela atmosfera de perfeição. Esse doce perfume não era causado pelas flores do jardim, mas sim pela pureza e beleza por Ele exaladas. É sua essência Divina que dá perfume às flores.
Caminhei por aquele exuberante oásis, e, a cada novo passo, eu era preenchida por uma forte energia pura e restauradora.
Seus ensinamentos não eram proferidos por palavras, mas sim, falavam diretamente a minha alma.
Havia também alguns animais muito dóceis e de grande nobreza. Quando estava indo embora um belo tigre nos acompanhou até um portal. E de Krishna ganhei uma bela flor que ainda brilha em meu peito. Nunca morre ou despetala, pois é feita da essência do Amor, é prosperidade, é divindade. E é eterna, assim como toda a vida daquele belo jardim. Voltando deste maravilhoso passeio, ao abrir os olhos percebi a luz pura que eles irradiavam. Meu corpo estava em perfeita saúde e vitalidade, e minha mente, una com o espírito. Eu tinha o Sol sobre a testa. O Sol de Krishna brilhava.

Num Planeta vivo. E perto de você.

"(...) - Decidi verificar se estava certo o que ele tinha me dito ontem, quer dizer, se era verdade que todas as manhãs ele acordava num estalar de dedos. E acho que era isso mesmo que acontecia, pois quando ele abriu os olhos tive a impressão de que parecia mesmo admirado com o que via à sua volta. E acho que sua ração não teria sido diferente se ele estivesse acordado num outro lugar completamente diferente. Na Ìndia, por exemplo. Ou num pequeno planeta de outra galáxia.
- Você é um ser vivo- disse eu - Neste momento você esta em Delfos, uma cidadezinha da Terra, que é um planeta vivo girando ao redor de uma estrela na Via Láctea. E para completar uma órbita ao redor dessa estrela, esse planeta precisa de 365 dias.
Ele arregalou os olhos, como se primeiro precisasse se acostumar à passagem do mundo dos sonhos para a realidade.
- Muito obrigado por essas informações- Tudo o que você está dizendo aí eu geralmente digo para mim mesmo antes de sair da cama (...) ".
Trecho do livro "O Dia do Curinga" de Jostein Gaarder. Dispensa qualquer comentário.