13.7.06

Sidarta...


" Baixando-se, Sidarta apanhou uma pedra. Enquanto a sopesava com a mão, disse displicentemente:
- Isto é uma pedra, mas daqui a algum tempo talvez seja terra, e da terra se transformará numa planta, ou num animal, ou ainda num homem. Em outra época, quem sabe, eu teria dito: “essa pedra é apenas uma pedra. Não tem nenhum valor. Pertence ao mundo da Maia (ilusão). Como, no entanto, pode acontecer que, no decorrer do ciclo das metamorfoses, ela se converta num ser humano e adquira espírito, presto certa atenção a ela”. Eis o que, provavelmente, eu teria pensado naqueles tempos. Hoje, porém, raciocino assim: “esta pedra é pedra, mas é também animal, é também Deus, é Buda”. Não lhe tributo reverência ou amor, porque ela um dia talvez possa se tornar isso ou aquilo, senão porque é tudo isso, desde sempre e sempre. E precisamente por ser ela uma pedra, por apresentar-se-me como tal, hoje, neste momento, amo-a e percebo o valor, o significado que existe em qualquer uma das suas veias e cavidades, nos amarelos e nos cinzas da sua coloração, na sua dureza, no som que lhe extraio ao bater nela, na aridez ou na umidade de sua superfície. Há pedras que, ao tato, dão-nos a impressão de tocarmos em sabão ou óleo. Outras são como folhas ou como areia. Cada qual é diferente e profere o Om à sua maneira peculiar. Todas elas são Brama, mas, simultânea e especialmente, são pedras, que possam ser oleosas ou viscosas. Justamente isso me agrada. Parece-me maravilhoso, realmente digno de veneração... Não me obrigues, porém, a falar mais. As palavras deturpam sempre o sentido arcano. Todas as coisas alteram-se logo que lhes pronunciamos o nome. Então se tornam levemente falsas e ridículas... Pois é. Mas, olha, até isso acho bem feito. Aprovo inteiramente e com o maior prazer o fato de que aquilo que para uma pessoa é um tesouro e uma grande sabedoria representa para os demais homens rematada tolice."
***

Tem muito mais... muito mesmo... Mas vou parar por aqui agora. É um trecho de “Sidarta” de Hermam Hesse. Está bem no final do livro, nas últimas páginas. Logo em seguida têm outros parágrafos tão ricos... Mas são para quem leu o livro.

BIG BANG!


Bom, prá começá há de sê começá pelo começo, não?
Realmente,

"Quando não tiver mais nada
Nem chão, nem escada
Escudo ou espada
O seu coração...
Acordará"

É preciso chegar ao fundo do poço para poder sair dele.
É preciso morrer para renascer.
É preciso confiança para a entrega de seu corpo à terra e de seu espírito ao céu...
Reduzir seu corpo em pó e seu espírito entre flores...
E é preciso fé e esperança de que se pode alcançar.
E assim pude me levantar, com minha caducação...

"Surubina, minha flor,
Jardim da minha infância,
A base deste mundo
é o verde, minha esperança."


***
E esse blog já não me serve mais... Mas, enquanto crio o outro, minhas coceguinhas nas mãos irão ser aliviadas por aqui mesmo. Talvez eu até continue a postar por aqui... Vamos ver...