23.12.05

Tu tu tu tu tu tuuu

“Um estado de juvenil pendor para o devaneio e a apatia, um embotamento dos sentidos e da inteligência, que só por vezes se interrompia, de maneira repentina e violenta, quando uma das horas maravilhosas de prematura vontade criadoras me envolvia como éter. Então, eu me sentia circundado por um ar translúcido, cristalino, no qual nenhuma divagação e inatividade era possível, no qual todos os sentidos se aguçavam e ficavam à espreita, vigilantes”.

Eureca! Encontrei nessas palavras – retiradas de algum livrinho escrito por Hermann Hesse – a descrição perfeita do momento pelo qual estou passando. Devaneio, apatia, inércia... Pareço anestesiada.
Essa descrição só não é tão perfeita pelo fato de eu não possuir “horas maravilhosas de prematura vontade criadora”. O que faz do meu momento ainda mais terrível. Nem criar mais eu faço! Já não mais penso, não crio, não sinto, estou apática! O que é isso???

Viagem - Parte III

O homem não deve demorar-se em nenhuma etapa da vida, mas sim estar sempre pronto a penetrar em um novo ciclo.
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Foto: Sebastião Salgado

Viagem - Parte II

Resistir. Disciplina é bom. Sim! É algo necessário para quem quiser viver.
Disciplina e comprometimento com o Eu. O primeiro passo é o autoconhecimento, obviamente. Conhecer a si mesmo para não se trair.
Atenção. Estar atento aos gestos do mundo para não cair em armadilhas. Sempre com os dois olhos bem abertos, porque um bebê é frágil ao engatinhar por ruas e avenidas. É presa fácil às raposas rabugentas, teimosas e preguiçosas. Raposas odeiam bebês. Parte porque adoram se alimentar deles, parte porque queriam ser como eles. Então, tome cuidado. Principalmente pelo fato de que os bebês, com seu ingênuo coração, acham as raposas bonitinhas. Sim, elas até são, mas só se pode se aproximar delas depois de crescer um pouquinho.
É tudo o que precisa saber. Boa viagem!
Foto: Sebastião Salgado

Viagem - Parte I

Acho que vou começar a comer grama, talvez ruminar... Na verdade, talvez eu já esteja fazendo isso... Acho que estou pastando.
Qual será o ângulo desviado? O quanto eu mudei de direção? Onde eu fui parar? E para onde eu ia?
Talvez para lugar nenhum, não ainda... Ah! Como sou preguiçosa...
Com faço para voltar do ponto de partida? Talvez eu deva fazer daqui, do pasto, “o” ponto de partida (sim, pois voltar é impossível).

E por que tantas dúvidas? Por que pensar tanto? O que é que está acontecendo?

Sinto que terei que sacrificar algumas coisas... Botar fogo no pasto... Queimar a grama e as eventuais flores, e partir.
(?)
Foto: Sebastião Salgado