21.7.06

Trecho: As Flores da Pequena Ida



Estou feliz! E estou lendo contos de Hans Christian Andersen.

Já escrevi certa vez que não gosto de ficar postando coisas que não foram eu quem escreveu, mas como eu só escrevo feiúras, para que egoistar essas belas obras que chegam até minhas mãos? Melhor dividi-las com quem, acidentalmente, tenha caído nessa página de Internet.

Vou transcrever um trecho da história das flores de Ida. É muito gostoso cada detalhe desse conto.
Já disse que amo Hans Christian Andersen?
***
As Flores da Pequena Ida

Minhas pobres flores estão todas mortas – disse a pequenina Ida. – Estavam tão bonitas à noite passada, e agora todas as flores pendem, murchas. Por que será? – perguntou ao estudante de quem gostava muito e estava sentado com ela no sofá.

Ele contava-lhe as mais belas histórias, e sabia recortar figuras muito engraçadas – corações com mulheres dançando dentro deles, diversos tipos de flores e grandes castelos, cujas portas se podiam abrir. Em suma, era um estudante alegre.

- Por que estarão as flores tristes hoje? – tornou a perguntar Ida, e mostrou-lhe todo um buquê inteiramente murcho.

- Sabes o que há? – disse o estudante. – As flores estiveram no baile esta noite, e por isso estão com as cabeças pendendo de cansadas.

- Mas flores não sabem dançar! – disse a pequena Ida.
- Sabem sim – contestou o estudante. – Quando é noite, e todos nós vamos dormir, elas pulam, alegres. Quase todas as noites elas vão ao baile!
- Crianças podem ir a esse baile?
- Podem – esclareceu o estudante. – Mas só as pequeninas margaridas e os lírios do vale.
- Onde dançam as flores mais bonitas? – perguntou Ida.
- Já não estiveste várias vezes fora dos portões da cidade, em frente ao grande palácio onde o rei reside no verão e onde há um maravilhoso jardim com muitas flores? Já não viste os cisnes que ali nadam ao teu encontro, quando lhes dá migalhas de pão? Pois é. Lá fora há o baile, podes crer!
- Ontem mesmo estive lá fora, no jardim, com a minha mãe – disse Ida. – Mas todas as folhas tinham caído das árvores e nelas não havia flores. Onde estarão elas? Vi tantas, no último verão!
Estão no castelo – explicou o estudante. – Deves saber que, mal o rei e os cortesãos vêm cá para a cidade, as flores deixam o jardim e correm muito alegres a instalar-se no castelo. Devia vê-las! As duas rosas mais bonitas sentam-se no trono, e fazem às vezes de rei e de rainha. Todas as cristas-de-galo vermelhas se perfilam, reverentes, são os camareiros. As mais graciosas flores vão chegando, e há então o grande baile. Os jacintos são pequenos cadetes navais, e dançam com as violetas, a quem chamam senhoritas. As tulipas e os grandes lírios amarelos são damas idosas – zelam pela correção e decência do baile.
- Mas – perguntou a pequena Ida – ninguém faz nada às flores por dançarem no palácio do rei?
- Ninguém sabe ao certo – disse o estudante. – As vezes, a noite, aparece, com seu grande molho de chave, o velho administrador. Assim que ouvem o tilintar das chaves, as flores ficam bem quietinhas, escondidas atrás das cortinas, e põem apenas a cabeça de fora. “Estou sentindo cheiro de flores cá dentro”, diz o velho administrador do castelo. Mas não consegue vê-las.

- Que engraçado! - disse a pequena Ida, batendo palmas. – E eu? Será que também eu não ia poder ver as flores?
- Ias, sim – disse o estudante. – Quando lá fores de novo, lembra-te de espiar através da janela, que verás. Foi o que fiz hoje, e vi um longo junquilho amarelo deitado no sofá, imaginando-se uma dama de honra.

- As flores do Jardim Botânico também podem ir até lá? Será que farão tão longa caminhada?
- Claro! – respondeu o estudante. – Quando querem, até voar sabem. Não já viste as belas borboletas vermelhas, amarelas e brancas, que quase parecem flores? Pois de fato já o foram um dia. Saltaram das hastes para o espaço, bateram as pétalas como se fossem asinhas, e saíram voando. Por se terem comportado direitinho, foi-lhes permitido voar também durante o dia e não regressaram para ficar de novo imóveis nas hastes. Assim, as pétalas acabaram por transformar-se em verdadeiras asas. Tu mesma o viste. Entretanto, é possível que as flores do Jardim Botânico nunca tenham estado no palácio do rei e nem saibam que ali é tão alegre à noite. Por isso vou dizer-te uma coisa que deixará perplexo o professor de botânica que mora ai ao lado, tu o conheces , não é? Quando entrares no seu jardim deves contar a uma das flores que há um grande salão de baile no castelo; ela o contará às outras, e todas sairão voando. O professor virá ao jardim, e lá não encontrará mais uma única flor, sem que ele possa, entretanto, compreender para onde foram.
- Mas como poderá uma flor avisar as outras? Flores não sabem falar.
- Não, decerto que não – respondeu o estudante. – Mas fazem sinais. Não viste, quando venta um pouco, as flores acenarem e moverem todas as suas folhas verdes? É como se falassem.
- E o professor entende os sinais delas? Perguntou Ida.

- Decerto que entende! Desceu ao jardim outro dia, e viu uma grande urtiga fazendo sinais, com as folhas, para um cravo vermelho, dizendo: “És tão belo, e gosto tanto de ti!” Mas o professor, como não tolera coisas assim, logo bateu nas folhas da urtiga, que são os dedos das plantas. Mas machucou-se nelas, e desde então não mais se atreveu a tocar nas urtigas.
- Que engraçado! – disse a pequena Ida, rindo.
- Como é possível meterem semelhantes bobagens na cabeça de uma criança! – observou o conselheiro da chancelaria, que viera fazer uma visita e também estava sentado no sofá.
Não gostava do estudante, e resmungava sempre que o via recortando as suas figurinhas, ora a de um homem pendurado na forca, com um coração na mão, a indicar um ladrão de corações, ora a de uma velha bruxa montada numa vassoura, levando o marido no nariz. Disso o conselheiro não gostava.
- Então isso são coisas que se metem na cabeça de uma criança?- protestava – Que fantasias tolas!

***

Prá fazer um sentido completo, grande e belo seria necessário ler o conto inteiro, porém é muito longo para postar e acho que ninguém iria ler (eu mesma não leria, já que não consigo ler textos longos pelo computador, me dá dor de cabeça)... Não é nada que uma vizita a uma biblioteca não resolva.

Uma musiquinha...

te amo
e é simples assim.
pode até ser que você
nem nasceu prá mim...

mas hoje, é por tua imagem que me dá vontade de tocar,
de arranjar esses acordes que nem sei
que mal sei
de um jeito bem bonitinho
só pra me apegar
e tocar a tua lembrança.

Ilda Batatinha