Meu domingo vazio
Vou transcrever o que ocorreu neste domingo frustrado...
Enquanto sai para caminhar fui fazendo anotações sobre o que eu via, sobre o que acontecia, sobre o que eu pensava... Tenho essa mania. Nada de metáforas, apenas uma narrativa descritiva... Sei lá!
Estou sentada no que restou de uma árvore cortada, numa rua desconhecida para mim, deserta e escura. O vento sopra muito forte e enche de nós o meu cabelo... E um homem em cima de uma motoca acabou de parar do meu lado: - Bruna? Não, não sou a Bruna, não conheço a Bruna. Ele apenas se confundiu.
Enquanto sai para caminhar fui fazendo anotações sobre o que eu via, sobre o que acontecia, sobre o que eu pensava... Tenho essa mania. Nada de metáforas, apenas uma narrativa descritiva... Sei lá!
Estou sentada no que restou de uma árvore cortada, numa rua desconhecida para mim, deserta e escura. O vento sopra muito forte e enche de nós o meu cabelo... E um homem em cima de uma motoca acabou de parar do meu lado: - Bruna? Não, não sou a Bruna, não conheço a Bruna. Ele apenas se confundiu.
Nunca estive aqui, e acho também que ninguém nunca esteve sentado nesse tronco escrevendo coisas vazias num caderninho, fazendo o vento soprar forte. Acho que não...
Estou procurando inspiração, motivação que me faça voltar para casa, voltar para as apostilas que me parecem tão pesadas e tão vazias... São tantos os compromissos com coisas que não gosto, coisas que não me são familiares, que não me são.
Vou caminhando... E passando por casas e mais casas... Pessoas dentro de suas casas, cada um com a sua, com seu carro estacionado na garagem, com suas coisas, cada um vivendo o seu domingo. Parece tudo tão calmo, tão ajeitadinho... São casas perfeitinhas e aconchegadas, cada uma dentro de sua personalidade. Vidinhas prontas e embaladas.
E eu procurando a minha vidinha. São tantos os caminhos! Não sei por onde caminhar, já que existem tantas possibilidades...
Crianças cantando parabéns na casa ao lado... Um felipe está fazendo aniversário. Hoje é o dia do Felipe.
- Pro felipe nada... Tudo!
E continuo caminhando, e vou de encontro com o vento porque não gosto de vento batendo nas costas.
Acabo de parar num ponto de ônibus. Estou numa avenida. Os ônibus passam e eu continuo aqui, lendo coisas que escrevi no passado neste mesmo caderninho. De repente o sino da igreja começa a tocar. Que bonito, quem será que está tocando? É uma pena o grito dos carros atrapalharem tanto.
E uma senhora enrugada retoca a maquiagem e ajeita os cabelos pintados de vermelho. É uma senhorinha limpa e elegante.
E de que vale a vida? De que vale a minha vida? Que valor eu devo dar a ela? Quanto eu devo agregar? Não consigo formular direito a pergunta... “É melhor ser Van Gogh ou Zé da Silva?”
“Vejo os pombos no asfalto, eles sabem voar alto, mas insistem em pegar as migalhas do chão”. Só uma música que acaba de me passar pela cabeça...
- Dona Maria faz 84 anos hoje.
- Que belezinha.
- Que sofrimento...
- É... A vida é uma luta, né?
Hã??? É mesmo?
Só o diálogo de duas senhoras bonequinhas. Acho que uma delas é professora aposentada.
Mais um ônibus passou e todo mundo se foi. E eu fiquei vendo uma sacolinha voar... Clichê, mas é verídico, é a segunda sacolinha a rodopiar pelas ruas hoje.
E algumas nuvens começam a se dissipar, começo a enxergar o céu azul e a claridade do Sol começa a brilhar. Outra sacolinha. Levanto-me e vou embora.
Só o diálogo de duas senhoras bonequinhas. Acho que uma delas é professora aposentada.
Mais um ônibus passou e todo mundo se foi. E eu fiquei vendo uma sacolinha voar... Clichê, mas é verídico, é a segunda sacolinha a rodopiar pelas ruas hoje.
E algumas nuvens começam a se dissipar, começo a enxergar o céu azul e a claridade do Sol começa a brilhar. Outra sacolinha. Levanto-me e vou embora.
“Sou descobridor da natureza”
“ E tem o mesmo sorriso antigo”
“ E tem o mesmo sorriso antigo”
Duas frases lidas sem querer, duas frases que gritaram para meus olhos neste momento.
Mais uma sacolinha... Eu juro!
E de repente sinto cheiro de jasmim na esquina...
Ah! As sacolinhas rodopiando... Acho que é a quarta.
Que lindo! Agora que dobrei a esquina de casa o Sol começa a me aquecer, e o dia ficou bonito, o céu por aqui está azul. Passo pelo portão e estouro uma semente daquela flor chamada beijinho (minha avó chama de maria-sem-vergonha). E... Oh não! Outra sacolinha! Voou até meu pé e depois foi embora. Êita cidade suja!

