18.6.06

Minha manhã de domingo

...
Munida de papel e caneta,
em companhia de um cigarro,
eu posso pensar...
Deixando uma trilha sonora me influênciar.
Essa caneta com que escrevo agora
ganhei de um ex-alcoólatra, no ônibus.
E esse papel, rascunho de um trabalho de faculdade.
E eu aqui, sentada num canto qualquer, ouvindo Cazuza, tentando entender...
Entender não para mim.
Entender para os outros
Para poder me explicar.
Minha confusão só eu entendo
Minhas manias, meus desejos.
Meus amores altruístas. Egoístas.
Minha fidelidade é dada apenas à um cão
que agora está aqui ao meu lado
e me segue pelos cômodos de casa.
Na rua, lá fora, ando sozinha
troco carícias
tímidas
pois posso machucar
posso nem existir
e as letras caem
e não sabem mais por onde ir.
Pelas ruas, por estradas
Por dentro de mim.
Pela noite,
Pelo dia.
Bobagem.
Só bobagem.
Já nem estou mais aqui.
...
Se me olhar no espelho agora
Vou ver uma palhaça
Bobo da corte
Idiota.
E o espelho vai me dar uma tortada na cara
E apertar uma buzina idiota
E cairão papéizinhos picados.
E o auditório todo vai cair na gargalhada.
E vão me apontar com o dedo.
E eu vou rir amarelada
E criar um câncerzinho lá dentro.
Aí, sopra o vento
E leva tudo embora.
...
Mais um cigarro...
Prá parar o tempo
O tempo que não devia passar
O tempo que desperdiço
O tempo que não divido
O tempo preso dentro de mim.
Preciso me exorcisar
Esquecer que existo por uns tempos...
Bláh
fui...
Ihhh... Vou deixar a caneta de lado mas continuar existindo.
Bláh
eca!
...
Enquanto isso tem um gato gordo no muro me vigiando. E bobos alegres no vizinho. Hoje tem jogo do Brasil. Tem cornetas e apitos. E tem a chata surtando, idiotando numa sala escura e tranqüila. Acho que não sou brasileira.